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Texto I A idéia para uma crônica me vem sempre como uma expe 110558

Texto I

A idéia para uma crônica me vem sempre como uma experiência de alegria, mesmo que o assunto seja triste. Ela aparece repentinamente, nos momentos mais inesperados, como a visão de uma imagem. O que tento fazer é simplesmente pintar com palavras a cena que se configurou na minha imaginação.

Sou psicanalista. Meu trabalho se baseia na escuta. Cada cliente fala e, ao fazer isso, me permite andar nas paisagens da sua alma. Ao escrever uma crônica, faço o contrário: sou eu que ofereço as paisagens da minha alma aos olhos dos meus leitores. E eles, sem o saber, são os meus psicanalistas.

O escritor não é alguém que vê coisas que ninguém mais vê. O que ele faz é simplesmente iluminar com seus olhos aquilo que todos vêem sem se dar conta disso. E o que se espera é que as pessoas tenham aquela experiência a que os filósofos Zen dão o nome de satori: a abertura de um terceiro olho, para que o mundo já conhecido seja de novo conhecido como nunca o foi.

 

Rubem Alves. O retorno e o terno. Campinas: Papirus, 1997.

Com relação a aspectos gramaticais do texto I, julgue o item subseqüente.

À oração “ao fazer isso” pode-se atribuir sentido temporal e, assim, ela pode equivaler a quando faz isso ou a sempre que faz isso.

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